O que é “brega” na decoração hoje em dia?
Uma conversa franca e sensível com a designer da GA Construtora.
Após quase 15 anos atuando no universo do design e da decoração, muitas vezes ouvindo e até reproduzindo a ideia de que determinados elementos não deveriam ser utilizados por serem considerados bregas ou ultrapassados, comecei a perceber um certo desconforto com essa lógica. Além disso, nunca me identifiquei completamente com essa postura restritiva. Sempre tive uma inclinação natural por escolhas que fugiam do que era ditado como moda, por composições que à primeira vista poderiam até não fazer sentido dentro das regras estabelecidas, mas que para mim carregavam identidade, afeto e verdade.
Por isso, foi a partir desse incômodo que passei a me questionar: quem, de fato, define o que é brega?
Talvez essa nem seja a pergunta certa. Porque, no fundo, o que a gente chama de brega na decoração quase nunca está no objeto em si, mas na falta de significado que ele carrega.
Durante muito tempo, aprendemos a desejar casas impecáveis.
Assim, linhas retas, tons neutros e pouca informação passaram a ser vistos como o ideal. Tudo no lugar. É muito bonito e elegante de se ver, mas sem perceber isso acabou silenciando as casas. Em algum momento, morar virou quase uma montagem estética.
Já perceberam que os porta-retratos quase que sumiram da decoração?

Consequentemente, lembranças foram guardadas e objetos com história começaram a poluir o ambiente. A gente parou de viver a casa e começou a montar cenários. A casa virou uma vitrine, bonita o suficiente para ser admirada, mas distante demais para ser sentida. Por isso tanta gente olha para sua própria casa e mesmo achando tudo bonito, sente que sempre está faltando alguma coisa, pois na verdade o que está faltando é a tua cara ali, aquele calor, aquela vida.
Felizmente, é possível perceber o início de um novo movimento. Ainda de forma sutil, mas consistente, as pessoas começam a resgatar a própria identidade nas escolhas que fazem para seus espaços. Observa-se, cada vez mais, ambientes que remetem à chamada “casa de vó”.
Para mim, esse movimento trouxe também um certo alívio. Como profissional, mas principalmente como alguém que sempre buscou imprimir verdade nas próprias escolhas, foi reconfortante perceber que aquilo que antes parecia “fora do padrão” hoje encontra espaço e valorização. E talvez justamente por isso, esse novo olhar tem feito cada vez mais sentido no morar contemporâneo.
A volta da casa de vó e o novo olhar sobre o brega na decoração
O que está voltando agora não é um estilo antigo, nem apenas o uso de móveis retrô ou clássicos. Na verdade, tem muito mais a ver com uma sensação que deixamos para trás: a casa que acolhe, que tem cheiro de memória, que guarda histórias bonitas.
Além disso, uma cadeira que foi palco de conversas longas, um livro antigo que nunca saiu dali, uma peça feita à mão que carrega o tempo dentro dela, porta-retratos de momentos importantes, lembranças de viagens, quadros pintados por alguém especial e etc. Sempre tive uma conexão muito forte com o artesanal e ele não precisa ser tendência para ser bonito. Minhas toalhas e meus tapetes de crochê, por exemplo, sempre tiveram valor para mim, independentemente do que era considerado atual.
Ou seja, a “casa de vó” não volta como tendência, ela volta como resposta.
Resposta a um vazio que o excesso de estética perfeita não conseguiu preencher.
Por isso, tudo isso muda completamente o olhar de quem projeta. Porque não basta mais organizar, compor, harmonizar. É preciso escutar e traduzir. Criar espaços que façam sentido para quem vive ali e não para quem olha de fora.
O minimalismo está ficando para trás?

Não é exatamente um estilo que está saindo de cena. Casas perfeitamente estéticas e modernas sempre vão existir e sinceramente, eu também amo projetar assim. No entanto, o ponto não é esse. O ponto é entender que existe espaço para tudo.
Existe quem se encontre no minimalismo, na casa mais limpa, mais silenciosa, mais controlada e isso é legítimo. Assim como existe quem precise de cor, de memória, de mistura, de camadas. Tem gosto para tudo. E está tudo bem com isso. O que talvez esteja mudando não é o estilo em si, mas a rigidez.
A ideia de que existe um certo e um errado. De que uma casa precisa seguir um padrão para ser considerada bonita. Hoje, mais do que nunca, o valor está na coerência com quem vive ali. Porque não é apenas sobre a casa ser moderna, clássica, minimalista ou afetiva. É sobre ela fazer sentido para quem vai morar ali.
Talvez a pergunta nunca tenha sido sobre o que é brega
Talvez seja sobre o que é vazio. Porque uma casa sem memória pode até estar dentro de todas as tendências, mas ainda assim não dizer nada.
Por outro lado, uma casa pode ser perfeita aos olhos e ainda assim não abraçar ninguém. Enquanto outra, com suas pequenas imperfeições, pode ter algo que nenhuma estética compra: ALMA.
E aqui é importante fazer uma distinção: não estamos falando de imperfeições técnicas, de erros de execução ou de escolhas mal resolvidas, pelo contrário, um bom projeto continua sendo essencial, com base sólida, funcionalidade e coerência.
As imperfeições de que falamos são estéticas e muitas vezes, intencionais.
São aquelas escolhas que fogem do óbvio: uma peça que não “combina perfeitamente”, mas carrega memória, um objeto antigo em meio ao novo, algo que ficou na casa não pela lógica da composição, mas pelo significado. E isso transforma tudo. Porque uma casa carrega não somente a sua história mas uma parte de quem você é.
Brega na decoração ou apenas uma casa com alma?
Algumas vezes ser chique não tem a ver com precisar ficar provando bom gosto o tempo todo. Acho que tem mais a ver não precisar convencer ninguém de nada. A tua casa é simplesmente tua. Não precisar, necessariamente, impressionar pelo impacto imediato, aquele “uau” assim que a gente entra nela. Gosto muito daquelas que acolhe de um jeito silencioso, quase imperceptível no início, mas que aos poucos vai revelando as histórias e as escolhas feitas por quem mora ali.
Tua casa te representa?
Escolher como você vive é mais do que uma decisão estética, é um posicionamento. É dizer: “isso me representa”. E quando isso acontece, a casa muda, a forma de viver muda e até nossa energia muda. Sem perceber, o espaço deixa de ser apenas bonito e passa a ser LAR. Estar feliz e consciente com as tuas escolhas é o que faz da tua casa ser chique e elegante.
Para transformar sua casa em um espaço com mais identidade, funcionalidade e afeto, conheça os projetos entregues da GA Construtora ou entre em contato pela página de atendimento.
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